Coluna “Retratando” – O que é o tal inverso do quadrado da distância?

Quantos de nós já ouvimos falar “o brilho de uma fonte de luz varia na proporção do inverso do quadrado da distância entre a fonte de luz e o objeto iluminado”?

A princípio é uma lei que rege muitos fenômenos físicos, dentre eles a luz. É simples de se entender. No entanto, como isso interfere em nossos retratos?

Esta lei foi desenvolvida por Isaac Newton no século XVII ao estudar a atração de corpos e descreveu a LEI DA GRAVITAÇÃO UNIVERSAL,  dizia que “… toda a matéria atrai matéria com uma força proporcional ao produto das duas massas consideradas e inversamente proporcional ao quadrado da distância entre elas”.

E daí se foi derivando e aplicando para outros fenômenos da natureza, tais como brilho, som e campo magnético.

Trazendo para a luz podemos dizer que o brilho de uma fonte luminosa  varia na proporção inversa do quadrado da distância desta luz em relação a superfície iluminada, como no exemplo abaixo simulando um set de estúdio fotográfico:

 Ou seja, se para o modelo que está a uma distância x tivermos uma leitura em f/16 de diafragma, para iluminarmos o outro modelo distante 2x com a mesma intensidade/brilho de luz deveremos deixar passar 4 vezes mais luz (1/22), ou dois stops de diafragma, ou seja, f/8. Entre  f/16 e f/8 temos o f/11 e lembrando que para cada f/stop temos o dobro da quantidade de luz, desta forma, f/8 é um diafragma capaz de deixar passar 4 vezes mais luz que f/16.

 

Vamos ver o que isso pode causar no fundo branco comumente utilizado nos estúdios fotográficos, fundo infinito.

Fotografei a modelo  Karol Davel (TONXAVIERMODELS) especialmente para exemplificar esta coluna.

A intensidade na qual estava regulado o flash eletrônico da Mako com um Softbox a cerca de 1m de distância da Karol, nos deu no fotômetro de mão uma leitura de f/14 em ISO 200, fizemos esta regulagem do diafragma e colocamos a Karol a um metro distante do fundo infinito branco.

 

Neste caso podemos deduzir, pela lei do inverso do quadrado das distâncias que a luz que incide no fundo branco é equivalente a  1/4 (1/22) da luz que incide na modelo. Fazendo o fundo de papel branco se apresentar em tom de cinza.

 

Depois disso, posicionamos a modelo dois metros distante do fundo e com o softbox a um metro da Karol, mantivemos fielmente a leitura do fotômetro que nos forneceu lá atrás f/14:

 Agora temos uma situação diferente, com a fonte de luz situada a três metros do fundo infinito, deduzimos que lá no fundo de papel branco está chegando 1/9 (1/32) da  luz que incidia sobre a modelo, a qual estava apenas a um metro da fonte luminosa, ou seja, o fundo recebe muito menos luz, o que nos dá esta sensação de um fundo num tom de cinza bem escuro:

  

Tudo que acabamos de descrever vale para os Speedlights ou flashs dedicados.

É interessante ressaltar que NÃO houve manipulação de contrastes, de exposição ou de níveis nestas imagens.

A intenção foi mostrar como um fundo branco pode ser cinza e, o mais importante, como a lei do inverso do quadrado da distância interfere no brilho que chega a uma superfície em função da distância do objeto em relação a fonte luminosa.

Agradecimentos:            Modelo: Karol Davel (TONXAVIERMODELS)
                                               Makeup: Levy Faria

Grande abraço e até a próxima,

 Virgilio Libardi

2 Respostas para “Coluna “Retratando” – O que é o tal inverso do quadrado da distância?”

  1. Leonardo Müller Diz:

    Novamente um excelente post, parabens pelo seu trabalho Virgilio.

  2. Parabéns pelo artigo!!

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